5 atitudes para viver a maternidade de forma mais leve

Por: Tatiana Queiroz (@tatianaqueirozpsi),
Psicóloga especialista em família e maternidade,
Rio de Janeiro.

Uma preocupação de muitas mulheres que atendo é como conciliar a maternidade com todos seus outros papéis: profissional, esposa, namorada, filha, irmã, amiga, ufa! Elas se sentem sobrecarregadas e, quando olham para os homens, parece que a paternidade não pesa tanto assim… Antes de se sentir culpada por isso, é importante lembrar que nós ainda vivemos com uma forte herança da cultura do patriarcado, em que a maior responsabilidade pelos filhos e pelo lar fica com a mulher. Nosso desafio hoje, de dar conta de tantas jornadas, parece ainda maior que o das mulheres de antigamente. Coisa de super heroína ou mulher maravilha!
E em busca de apoio para atingir todos esses objetivos, as mães são bombardeadas por informações e receitas sobre o que devem, ou não fazer, em todas as áreas da vida de seus filhos — da alimentação à educação. O resultado disso? Uma falta de conexão das mães com sua própria realidade, culpa, insegurança, confusão e (muita) solidão.
Mas será que, neste contexto, ainda é possível viver a maternidade de forma mais leve? Eu tenho algumas sugestões de como você pode começar:

1: Entenda que não existe uma receita pronta que serve para todas as famílias.
Se existe uma regra que de fato ajuda é: aposte no autoconhecimento. Aproxime-se dos seus valores, identifique suas prioridades e suas possibilidades. É o autoconhecimento que possibilita que você peneire conscientemente aquilo que lê nas redes sociais e blogs, o que escuta de profissionais, amigos e familiares, e saiba exatamente o que vai aproveitar disso tudo.

2: Nutra-se de informação e relacionamentos positivos.
Você já ouviu falar que somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos? Então, nada mais justo que rever a qualidade dos nossos relacionamentos mais próximos de vez em quando. E atenção: quando falo de relacionamentos, incluo também as pessoas com que você interage nas redes sociais. Analise com sinceridade os perfis que segue e questione: essas pessoas realmente te inspiram? Elas trazem reflexões importantes? Ou apenas mostram padrões inalcançáveis que te deixam ainda mais frustrada?

3: Não compare seus bastidores ao palco das outras mães.
Aliás, não compare nada! Cada pessoa vive em circunstâncias diferentes, tem valores e prioridades diferentes. E, acredite, o que você vê, principalmente nas redes sociais, é só a parte bonita que aparece palco — a bagunça por trás das cortinas ninguém mostra! Às vezes, você segue uma mãe que consegue fazer tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa… E se pergunta: por que eu não consigo? E, na maioria das vezes, você se compara e se sente inferior sem ao menos saber qual é o tamanho da rede de apoio e dos recursos dela, ou até quais prioridades ela tem — provavelmente essa outra mãe tem que fazer escolhas também.

4: Busque uma rede de apoio.
É impossível viver a maternidade com leveza achando que vai dar conta de tudo sozinha ou que não precisa de ajuda. Sempre digo às minhas pacientes: quanto mais apoio, mais autonomia. Parece um contrassenso, mas ter um tempo para você, para suas relações, e para tudo que te nutre como indivíduo, fica muito mais fácil se você sabe pedir (e aceitar) ajuda. Uma ótima dica para construir essa rede de apoio, caso você não a tenha ainda, é se colocar à disposição para ajudar outras mães primeiro. A troca vai acontecendo naturalmente.

5: Ajuste suas expectativas.
No momento que você se tornou mãe, sua vida mudou. Mudou mesmo. Vejo muitas mães frustradas porque ainda têm a expectativa de que, em algum momento, vão conseguir resgatar a vida e os hábitos que tinham antes do bebê chegar. Que tal trocar a palavra resgatar por reconstruir? Esse termo me parece mais adequado porque se trata mesmo de construir uma nova vida, em uma nova realidade. Em vez de sentir falta do que já foi e não é mais, abra seu olhar para as possibilidades que nasceram junto com a sua maternidade.

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