5 motivos para abandonar o consumo de carne

Por: Karla Santone,
Médica de São Paulo, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia
Vegana desde 2016

Todos nós sabemos que o consumo de carnes, peixes, ovos e laticínios é visto como parte da nossa cultura desde sempre. Ou, melhor, era. Afinal, o que vemos agora é o crescimento do número de pessoas que aderem a novas formas de alimentação, que excluem produtos animais em troca de mais alimentos vegetais. É uma mudança de comportamento sem precedente na história da humanidade! Estamos migrando da dieta onívora para a dieta vegetariana, e motivos para isso não faltam: de saúde a meio ambiente, passando pela ética animal, deixo aqui 5 bons motivos para repensar o consumo de carnes e derivados animais.

1: Sua saúde agradece
Temos muitas evidências científicas que apoiam a escolha por uma dieta vegetariana estrita tais como: maior facilidade em perder e manter o peso, estabilização da pressão arterial, prevenção e controle do Diabetes tipo II, redução do risco de doenças do coração e de alguns tipos de câncer, níveis menores de colesterol ruim, entre outros benefícios. Uma alimentação rica em proteínas vegetais saudáveis fornece maior quantidade de fibras que selecionam uma microbiota intestinal mais favorável a nossa saúde. E basear o cardápio em verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, frutas, castanhas e sementes garante maior aporte de substâncias conhecidas como antioxidantes e fitoquímicos que são fundamentais para combater o estresse oxidativo, prevenindo doenças.

2: O meio ambiente, também
O segundo motivo diz respeito a todos nós, independentemente das nossas escolhas: a saúde do planeta em que vivemos. Estamos presenciando um verdadeiro desastre ambiental, com desmatamento de florestas e esgotamento de recursos naturais nunca jamais vistos. Pouca gente sabe, mas a criação de animais demanda uma altíssima produção agrícola de ração, além de alto consumo energético e de água. Isso porque os animais, antes de virarem comida, consomem ração cultivada em regime de monocultura com uso de muitos agrotóxicos para aumentar a produtividade e, consequentemente, a rentabilidade. Segundo dados recentes, se todos nos tornássemos vegetarianos, o uso das terras agrícolas cairia em 75%, freando o desmatamento e a necessidade do uso de agrotóxicos e pesticidas nocivos a nossa saúde e ao meio ambiente. Também haveria a diminuição dos gases de efeito estufa lançados na atmosfera e uma economia absurda de água. ⠀⠀

3: O nosso futuro
Uma razão bastante grave, mas pouquíssimo divulgada, é a Resistência Antibiótica! Não sabe do que se trata? O uso indiscriminado de antibióticos no gado, seja para ganho de peso, seja para controle de infecções, facilita a seleção de cepas de bactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos, aumentando a proliferação das superbactérias. A Organização mundial de Saúde estima que 50 milhões de mortes vão ocorrer nas próximas décadas devido a perda da eficácia dos antibióticos frente as superbactérias. Preocupante, não?

4: O respeito aos animais.
Inequivocamente, o principal motivo para abandonar o consumo de carnes e produtos animais é a questão ética que envolve a exploração animal. Segundo a Declaração de Cambridge, de 07 de julho de 2012, animais são seres sencientes, ou seja, têm capacidade de sentir e se reconhecerem como indivíduos no ambiente em que vivem, o que lhes confere direito pleno à vida e a liberdade. Eles vivenciam emoções negativas como medo, dor, tristeza, fome e sede, como também positivas, alegria e afetividade. Em toda forma de exploração, seja para a extração da carne, lácteos ou ovos, os animais têm suas liberdades e instintos mais básicos reprimidos: galinhas confinadas em gaiolas não podem ciscar o chão, nem ao menos abrir as asas, de tão pequeno o espaço que ocupam; vacas leiteiras não podem amamentar seus filhotes para que seu leite seja roubado destinado ao consumo de outra espécie, entre outros exemplos. Não precisamos mais financiar isso.

5: A fome no mundo
Calcula-se que, hoje, mais de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo. E, enquanto crianças morrem de desnutrição ou em consequência dela, um animal de corte jamais morre de fome. Sabe qual a relação entre essas duas realidades? Muitos países com grandes populações de famintos são, coincidentemente, grandes produtores e exportadores de ração animal, que alimenta os rebanhos de gado da Europa e dos EUA. Ou seja, as terras produtivas são ocupadas com plantações de soja e milho que não são destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade, mas sim aos animais, que depois abastecem os restaurantes dos que podem pagar por uma vitela. Pesquisas mostraram que, com o total em toneladas de alimentos produzido no mundo, poderíamos alimentar toda a população mundial e 4 bilhões de pessoas a mais, acabando com toda a fome, se simplesmente deixássemos de criar animais.

E mesmo com a memória afetiva que nos liga a pratos feitos com produtos animais, motivos não faltam para dar uma chance ao veganismo. E também prefiro pensar que, ao longo dos séculos, a maior habilidade humana foi justamente a de se adaptar às mudanças. E chegou a hora de mudar mais uma vez: rumo à uma alimentação baseada em vegetais.

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