5 perguntas sobre o Setembro Amarelo 

5 perguntas sobre o Setembro Amarelo 

Em setembro, uma causa muito importante é abraçada no Brasil: a prevenção ao suicídio. Por isso esse mês ganhou a cor amarela, ela lembra a vida, alegria e energia. Houve um tempo em que não se falava sobre o tema era tratado como tabu. Porém, em 2000 a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou uma cartilha que orienta os profissionais de saúde a tratar o tema com seus pacientes e a comunidade. 

E, como valorizar a vida está em nosso DNA, preparamos cinco perguntas aqui no Blog 5 e que a nossa amiga e psicóloga Amanda Tivo respondeu. Ela alerta que “se você já teve algum dos sintomas, ou conhece alguém que está no grupo de risco, procure a ajuda de um profissional psicólogo, psiquiatra ou o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da sua cidade”. Outro canal nacional de atendimento gratuito é do Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do site ou do número de telefone 188. 

Cuide. Acolha. Converse.

E, principalmente, Peça ajuda!

  • Amanda, você acredita que a divulgação do tema tem trazido mais conscientização e evitado situações de suicídio ou tentativa de?

Com certeza! Uma das principais vertentes e posicionamentos no trabalho de prevenção ao suicídio é o “falar sobre”. Com o cuidado necessário na divulgação, o tema atinge cada vez mais pessoas e promove a identificação, tanto de si quanto de outros, levando o indivíduo a procurar os profissionais e instituições necessários (como psicólogos e serviços públicos) bem como tornar a família e a comunidade potenciais agentes de atuação conjunta na prevenção do suicídio.
A partir da divulgação de sintomas, grupos de risco e alguns outros fatores associados a tentativa e ao suicídio de fato, profissionais e a comunidade tornam-se agentes efetivos na prevenção.

  • Na família, na escola, no trabalho, como o tema pode ser abordado? O que fazer e o que não fazer para ajudar?

Precisamos abordar o tema com responsabilidade, afeto e acolhimento. Caso haja a identificação de algum indivíduo em risco, encaminhar a profissionais especializados e alertar possíveis redes de apoio (família, amigos). Sempre leve a situação a sério, tome uma atitude, acione ajuda, demonstre e esteja ali por ela.
Reações como pânico, choque, descaso, exposição inadequada e “deixar a situação passar” podem elevar o risco de suicídio no contexto citado.
Segundo a cartilha da OMS (2000), a maioria dos suicidas comunica pensamentos e intenções suicidas. Elas nunca podem ser ignoradas ou deixadas de lado. Interpretações como “Isto é para chamar a atenção”, “Não é sério”, podem ser perigosas e levar a uma não formação de rede de proteção. O desafio chave de tal prevenção consiste em identificar as pessoas que estão em risco e que a ele são vulneráveis; entender as circunstâncias que influenciam o seu comportamento auto-destrutivo; e estruturar intervenções eficazes.

  • Quais são os sintomas e grupos de risco para esse comportamento?

São considerados grupos de risco jovens (com idade entre 15 e 30 anos), idosos, pertencer a um grupo de minoria (negros, LGBTQ+, índios), transtorno mental diagnosticável, doenças crônicas, histórico na família e afins.
Entre os sintomas mais comuns podemos citar tristeza, depressão, solidão, desamparo, auto-desvalorização, mas também pode ser desencadeado por discussões, separações, perdas, mudanças estressantes, problemas financeiros, conflitos no trabalho, entre outros.

Segundo a OMS, alguns comportamentos podem ser alertas para uma possível tentativa: 

  • Comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e amigos; 
  • Doença psiquiátrica; 
  • Alcoolismo; 
  • Ansiedade ou pânico; 
  • Mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia; 
  • Mudança no hábito alimentar e de sono; 
  • Tentativa de suicídio anterior; 
  • Odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha; 
  • Uma perda recente importante – morte, divórcio, separação, etc; 
  • História familiar de suicídio 
  • Desejo súbito de concluir os afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento, etc. 
  • Sentimentos de solidão, impotência, desesperança. 
  • Cartas de despedida 
  • Doença física 
  • Menção repetida de morte ou suicídio 

 

  • A pessoa pode detectar em si mesma os sintomas? E, é possível a família auxiliar a identificar os sintomas, como?

Se você se identificou ou identificou alguém com os sintomas, enquanto pertencente dos grupos de risco ou em alguma situação que pode desencadear a tentativa, fique em alerta e peça ajuda. Toda vida é válida!
Família, amigos e pessoas do convívio frequente têm papel fundamental, pois são eles que vão criar uma verdadeira rede de proteção. Segundo a cartilha da OMS (2000), a abordagem deve ser feita de forma paciente, acolhedora e sem julgamentos. 

  • Quais causas são as mais comuns que podem ser citadas?

Não há causas padronizadas para as tentativas e/ou suicídio. Não se sabe o porquê determinadas pessoas decidem cometer o suicídio quando outras, em situações semelhantes, não possuem a mesma decisão. O que pode-se afirmar é que o suicídio é um evento multifatorial e complexo, que possui fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais. É, principalmente, uma questão de saúde pública, mas que ao atingir toda a sociedade, convida-a a questionar suas implicações. 

Estudos tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento revelam dois importantes fatores relacionados ao suicídio. Primeiro, a maioria das pessoas que cometeu suicídio tem um transtorno mental diagnosticável. Segundo, suicídio e comportamento suicida são mais frequentes em pacientes psiquiátricos. Esses são os grupos diagnósticos, em ordem decrescente de risco são:

  • depressão (todas as formas); 
  • transtorno de personalidade (anti-social e borderline com traços de impulsividade, agressividade e freqüentes alterações do humor); 
  • alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes); 
  • esquizofrenia; 
  • transtorno mental orgânico;

 

Amanda Tivo – CRP 08/24915
Psicóloga e Gestalt Terapeuta Infanto-Juvenil
Maringá – PR

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