Acne na vida adulta? Eu te explico o porquê

Se existe um problema de pele democrático, é a acne. Ela é campeã de reclamações nos consultórios de dermatologia! E mesmo sendo algo típico da adolescência, ela pode incomodar homens e mulheres que já passaram dessa fase.
Cravos e espinhas são sintomas de um quadro de acne e começam da mesma maneira: quando as glândulas sebáceas trabalham demais, o excesso de sebo acumula e entope os poros. Isso é um cravo. A espinha é um estágio mais avançado, uma infecção causada por bactérias que se alimentam do sebo acumulado nos poros.

Acne e oleosidade da pele
Como tudo começa com as glândulas sebáceas, quando a pele está mais oleosa, aumenta o risco de a acne aparecer. E repare que eu disse “está mais oleosa”. Sabe o porquê? Existe quem já tem pele oleosa, é uma característica natural dela (eu expliquei tudo sobre esse tipo de pele aqui). Mas mesmo pessoas de pele normal ou seca podem perceber períodos em que as glândulas sebáceas trabalham a todo vapor. É o que acontece na adolescência, mas também na TPM, ou em outros momentos em que há a liberação de hormônios que estimulam a produção de sebo.
Estresse, consumo da proteína do leite ou de açúcar em excesso, uso de certos medicamentos, exposição à luz ultravioleta, níveis elevados de colesterol são outros fatores que estimulam as glândulas sebáceas de algumas pessoas a trabalharem mais que o normal por um tempo, e aí as espinhas dão as caras. E isso acontece ao longo da vida toda — e é uma explicação para a acne da mulher adulta.

Então, o que podemos fazer para evitar a acne?
Primeiramente ter uma alimentação saudável. O que comemos influencia (e muito) o trabalho das glândulas sebáceas. O açúcar e a farinha refinada, por exemplo, causam picos de insulina, um hormônio que estimula a produção de sebo.
E tem uma armadilha em que nós mulheres sempre caímos: como na TPM o hormônio da felicidade e do bem-estar (serotonina) fica em falta, a gente quer compensar a irritação comendo mais guloseimas. E isso só aumenta a oleosidade e as inflamações na pele, em uma época do mês em que já estamos mais suscetíveis a espinhas. É melhor matar a vontade de doce com frutas, secas ou in natura, e oleaginosas.

O segundo ponto é cuidar bem da limpeza da pele. Como eu disse, cravos e espinhas começam com o uma superprodução de sebo que se acumula nos poros. Então, use produtos que ajudam no controle da oleosidade. E mais: inclua a esfoliação na sua rotina, de duas a três vezes na semana. Isso porque células mortas também entopem poros, deixando o ambiente perfeito para a ação de bactérias. O resultado? Espinhas, claro!
De tempos em tempos, você também pode apostar em uma limpeza de pele feita em clínica, para remover cravos que podem se tornar espinhas.

E se a acne já apareceu?
Promete uma coisa para mim? Não vai cutucar ou espremer as espinhas. Isso pode piorar (e muito!) as infecções e deixar cicatrizes no seu rosto. Evite tocar a pele com as mãos sujas e mantenha o cabelo limpo e longe do rosto para não contaminá-lo com bactérias. Use sabonetes e géis de limpeza específicos para pele acneica e produtos de tratamento para curar as lesões. Também é preciso hidratar com fluido específico para quem tem acne — pele ressecada sempre acaba em efeito rebote! — e usar um protetor solar não comedogênico.
Aliás, nada de achar que sol ‘seca’ espinhas. Num primeiro momento ele até acelera a cicatrização… Mas o calor da radiação estimula a oleosidade, e o efeito a longo prazo é o pior possível.

Nada disso resolveu?
Se você é adolescente ou sofre com a acne adulta, o ideal é sempre procurar um dermatologista para avaliar o grau da acne e prescrever um tratamento para que ela não deixe manchas ou cicatrizes — pode ser necessário até mesmo um antibiótico oral.
Além disso, a acne pode refletir questões que vão além da pele. E o dermatologista vai avaliar a necessidade de integrar outros médicos no tratamento. Se for uma alteração no perfil lipídico ou nos níveis hormonais, por exemplo, é preciso procurar um especialista em metabologia ou um endocrinologista. Se identificarmos uma questão relacionada ao ciclo menstrual, um ginecologista deve orientar o uso da pílula. 


Dermatologista, Dra. Kássila Nasser CRM/PR 27.047  

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