Manchas: eu sei o que você fez no verão passado


Tudo fica muito claro na pele: se você aproveitou muito o sol, se usou protetor solar direitinho… E, com a chegada do outono, muita gente começa a olhar com mais atenção para as manchinhas que surgiram nos últimos meses.
E para conversamos sobre manchas, primeiro quero explicar como a nossa pele ganha sua cor! Quem dá o tom é a melanina, um pigmento castanho, que fica mais ou menos escuro de acordo com sua concentração. São os melanócitos, células da nossa epiderme, que produzem esse pigmento, e cada pessoa possui melanócitos mais ou menos ativos, de acordo com sua genética – isso explica a enorme variedade de tons de pele que vemos por aí.
Mas tem uma coisa que talvez você não saiba: a real importância da melanina. É ela que protege o DNA das células das agressões da radiação. Quando você se expõe ao sol, os raios ultravioleta atingem e danificam as células mais externas da pele primeiro. E, imediatamente, o corpo estimula os melanócitos a produzirem mais melanina para se proteger. E você ganha o seu bronzeado.


Mas como surgem as manchas?
Tudo acontece quando alguns melanócitos produzem melanina em excesso, e ela se acumula causando o escurecimento de um determinado ponto da pele. A maior parte das vezes, quem induz os melanócitos a trabalhar além da conta é a radiação solar – por isso a maioria das manchas aparece em partes do corpo que ficam expostas, como rosto, colo, e mãos. Mas pesquisas já provaram que há outros gatilhos para a hiperpigmentação: alterações hormonais (principalmente durante a gravidez ou na menopausa), uso de anticoncepcionais, luzes visíveis do celular, computador e tv, e até o calor em excesso.
São esses fatores que geram o tipo de hiperpigmentação mais comum, o Melasma: manchas castanhas e escurecidas, com um formato irregular, e que geralmente aparecem nas maçãs do rosto, na testa, acima dos lábios, no queixo. Melasmas aparecem com mais frequência nas mulheres (só 10% dos homens têm o problema), principalmente nas que estão em idade reprodutiva, entre 20 e 50 anos, e têm um tom de pele mais pigmentado (fototipos III e IV).


Há outros tipos de manchas:
Como as sardas. Elas também são causadas pelo acúmulo pontual da melanina na pele exposta o sol. As sardas são muito ligadas à genética – se sua família tem, há grande chance de você ter também – e, ao contrário do melasma, é mais comum nas pessoas de pele clara (fototipos I e II) e ruivas.
Outra hiperpigmentação bastante comum é o que chamamos de manchas senis, que aparecem ao longo da idade – você vai perceber essas manchas escurecidas e bem definidas nos braços, colo e rosto da maioria das pessoas idosas. Essas melanoses são resultados dos danos da radiação solar acumulado ao longo dos anos.
Já pessoas mais novas sofrem mais com as manchas de acne. As espinhas causam um processo inflamatório, e isso ativa as defesas da nossa pele, inclusive a produção de melanina – o que gera hiperpigmentação.


Prevenir é o melhor remédio.
Tratar as manchas é mais difícil que evitá-las. E os cuidados preventivos são iguais para todas elas. Não tem segredo! Use de filtro solar sempre e reaplique pelo menos três vezes ao dia. O ideal é optar por filtros físicos, que refletem todos os tipos de radiação – mesmo que você trabalhe em locais fechados, a luz visível está agindo! E, ao ar livre, use bonés, óculos e tecidos com FPS. Esses cuidados devem ser ainda mais intensos na gravidez.
Como eu já disse por aqui, a maquiagem tem pigmentos que criam uma barreira física sobre a pele, e é super benéfica para quem tem manchas. Use um produto que tonaliza em cima do protetor, até mesmo durante as atividades físicas, se quiser – só precisa retirar os resíduos depois com demaquilante, combinado?
Além disso, seu dermatologista pode indicar nutracêuticos (cápsulas) antioxidantes que ajudam na prevenção das manchas.


E se já aconteceu?
É hora de correr atrás do prejuízo! Use diariamente produtos com ativos clareadores e antioxidantes diariamente para suavizar as manchas superficiais. Hiperpigmentações mais profundas exigem tratamento no consultório: há opções de laser muito modernas e o dermatologista vai orientar caso a caso.
Mas não se esqueça: Melasma é uma alteração crônica. Ou seja, não basta fazer laser para a mancha sumir, é preciso usar protetor solar com disciplina para evitar que ela reapareça depois de um tempo.  


E um último alerta!
Até agora falamos de manchas que só causam incômodo estético, certo? Mas algumas podem ser sinal de algo mais grave, como câncer de pele. Faça o exame de pintas uma vez ao ano com o dermatologista e, entre as consultas, tenha um olhar atento ao seu corpo para identificar manchas perigosas. Nós temos uma lista de critérios para ajudar, a regra do ABCD :

A de Assimetria: divida a lesão no meio e cheque se as duas metades são bem semelhantes.

B de Bordas: elas devem ser regulares.

C de Cor: a coloração precisa ser uniforme.

D de Diâmetro: a pinta não pode ter mais de 6mm.

Se alguma mancha ou pinta fugir desses padrões, procure o seu dermatologista.


Dermatologista, Dra. Kássila Nasser CRM/PR 27.047 

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